Final da Taça de Portugal de Futebol Feminino, porque não no Estádio Nacional?
Tem surgido alguma discussão relativamente à não realização da final da Taça de Portugal na vertente feminina, no Estádio Nacional. Nomeadamente nas situações em que se observa que este estádio é palco de vários acontecimentos desportivos (e ainda bem), mas continua a não “receber” a final da Taça de Portugal feminina.
Inicialmente, a opção de “levar” a final da segunda competição mais importante do futebol feminino para locais com menor expressão a nível, quer de clubes quer de número de praticantes, centrava-se na necessidade de imprimir novo dinamismo à causa. Era urgente promover o aumento do número de praticantes e de clubes inscritos. Adicionalmente, a este motivo junta-se um outro (que terá alguma lógica), a distância que os clubes finalistas teriam que percorrer. A opção passa, então, por encontrar um ponto médio dessa distância e esse será o local da final, mais quilómetro menos quilómetro. Pelo menos até informação contrária, este é o formato em vigor.
Com o passar dos anos, a disputa da final da Taça permaneceu longe do seu habitat natural e as vozes discordantes mantiveram-se inalteráveis. Infelizmente, esta opção de divulgar o futebol feminino não colheu grandes resultados práticos. O número de praticantes não sofreu um aumento significativo que legitime manter este formato. Equipas desistem (ainda que em contrapartida outras surjam), as atletas abdicam da prática devido a uma série de constrangimentos que não adianta, neste momento, dissecar, e o futebol feminino não desenvolveu estratégias que tenham como meta a melhoria contínua, como é comum falar-se na implementação de sistemas de gestão da qualidade.
A esperança é a última a morrer e deseja-se vivamente que o novo quadro competitivo permita vivenciar e cimentar novas experiências (aliás, como já o referi anteriormente). Ora, se estes factos são observáveis, podemos concluir que esta opção revelou ser pouco atractiva, especialmente para as atletas. Afinal, o sonho é disputar a final no palco tradicionalmente destinado a esse efeito. Esse sonho tem sido adiado ano após ano. Não obstante, acreditando no que diz António Gedeão, no poema Pedra Filosofal “o sonho comanda a vida”.
A pergunta é simples. Será que após estes anos de experiência, não é possível ponderar a realização da final da Taça de Portugal feminina, no Estádio Nacional e, deste modo, proporcionar um momento ímpar aos clubes, atletas, treinadores, dirigentes e adeptos? Alguém tem dúvidas que as equipas mobilizariam os seus adeptos até ao Vale do Jamor? Eu, pessoalmente, não tenho. Pode pensar-se que o estádio estaria “às moscas” dada a sua capacidade. Mas será que isso é o mais importante para quem tenha a fantástica oportunidade de jogar uma final no Estádio Nacional? Não será importante dar a essa oportunidade às atletas? Haverá impedimentos de ordem logística assim tão inultrapassáveis? Não sei, mas creio que quem organiza o jogo da final para um determinado local, organiza para o Estádio Nacional.
Vamos esperar para ver o que ocorre na próxima época relativamente à final da Taça. Provavelmente, nada, mas era uma excelente oportunidade para promover mais uma mudança e motivação adicional a todos os actores intervenientes nesta causa, juntamente com a reformulação dos quadros competitivos. Fica a sugestão a quem possa tornar este sonho realidade!
Maria João Xavier
[Maria João Xavier foi uma das melhores jogadoras portuguesas de futebol feminino, tendo somado 76 internacionalizações ao longo da carreira. Desempenhou também funções directivas na equipa feminina do Vitória de Setúbal. Podem ver as suas crónicas anteriores aqui.]



















2 Comentários
Quarta-feira, 3 Junho 2009 ás 11:04 am
O meu comentário é muito simples… concordo com todas as linhas!
Quarta-feira, 3 Junho 2009 ás 12:54 pm
Estou de acordo. Vou fazer os possíveis para ajudar.
Cumprimentos